terça-feira, outubro 24, 2006

 
JABURU GUISADO: A ENTREVISTA DO ANO!!!!

Aqui no Pasárgada, temos uma estagiária de Jornalismo chamada Joaninha e que como todo estagiário, não gosta de trabalho, e apesar do nome, é uma sacana imensa e curte mesmo é um barato (sacaram? Joaninha... Barato...). Bom, como a administração de RH deste site é bem fascista, a Joaninha foi então despachada para entrevistar a banda da hora, a Jaburu Guisado, autodenominada a pior banda virtual do planeta. Joaninha entrevistou os líderes do grupo, Matheus & Fontella, em dois ambientes. O primeiro foi num boteco chamado Reçaka da Boa, numa prainha à beira dum valão, bem ao gosto do Matheus. Lá, entrevistadora e entrevistados encheram tanto aquele lugar (que você sabe qual é) de goró, que por pouco o bate-papo não acabou com injeção de glicose na testa!

A segunda parte da papagaiada ocorreu na biblioteca de um colégio de periferia, o Deus Olhai por Nós (e antes que o diabo chegue, segundo os professores desse estabelecimento modelo. Modelo para Burkina Faso). O local foi sugerido pelo Fontella, que ao contrário do Matheus, ou vice-versa, é o integrante mais intelectual e mais introspectivo (e até sinistro) da banda. Na biblioteca, teve isopor para a cerveja e até rolou sensações agradáveis, mas para os ácaros, os ratos e os morcegos. Detalhes, detalhes, como diria o rei Roberto. Mas vamos logo para a entrevista com os manos, em que eles narram sua formação e gosto musical, o lançamento do primeiro álbum (Latidos, Miados, Gemidos e Sussurros – Vol. 1), a criação de um selo próprio (o Marmitex Records), a primeira turnê, as proezas sexuais (e a falta delas), o envolvimento com as drogas (Matheus na semana passada foi pego em flagrante após escutar 18 horas seguidas a música Imortal, de Sandy e Junior. Segundo o cara, foi um lance mesmo eterno. E no inferno) e as recordações da terra natal do grupo, a inóspita Jaburulândia. Vamos logo então e duma vez:

Pasárgada – Vocês se autodenominam a pior banda virtual do mundo, virtualmente nada. Como é isso?

Matheus – É que o nosso som é, parodiando Elis Regina, como nossos pais: não nos ouvem.

Fontella – Há bandas por aí como os ingleses do Gorillaz que têm esse lance de banda virtual, com animação em 3D nos palcos. Pois nós somos ainda mais radicais. A gente se baseia mais ou menos em Nietzsche, que escreveu: ‘o verdadeiro autor tem vergonha de se tornar escritor’. Nós então somos assim: ‘o verdadeiro grupo tem vergonha de se tornar banda’.

Pasárgada – Mas tem muitas bandas por aí que além de não tocarem nada, são na verdade só uma bunda...

Matheus – Ah, mas aí é bom. A tua por exemplo é...

Fontella (interrompe, sussurando) – Ela ainda não bebeu o suficiente, imbecil...

Pasárgada – São apenas vocês dois nas performances de palco, porém nos créditos do álbum constam outros músicos...

Fontella – Isso é bem simples e para explicar o porquê não precisarei recorrer nem à Cabala da Madonna nem ao guru do Paulo Coelho... O fato é que no palco só eu e o Matheus tocamos, porque em qualquer platéia os caras só se preocupam em encher a cara e o mulherio só grita histericamente e quer subir no tablado, nem se dando conta se falta baixista ou tecladista ou então esse instrumento que a gente copiou lá da Índia, como é mesmo?...

Matheus (intervindo, e já um tanto, ah, alto) – A bronha?

Pasárgada – Acho que é a flauta, aliás adoro soprar flauta... Bem, e no estúdio?

Fontella – Pois é, no estúdio, na gravação, a gente optou por contar com outros músicos, encorpar o som e tudo o mais. Daí foi que para os teclados a gente recrutou três anões de jardim, dois para se fazerem de escadinha e o terceiro tocando, claro que num sistema de rodízio. Deu um colorido todo novo ao som, sobretudo o roxo dos hematomas. Caíam a toda hora, os desgraçados, mas valeu. Já nos vocais, tudo rolou perfeito, terminada a campanha eleitoral, a Luciana Genro topou em gravar com a gente. Depois então que a gente mostrou pra ela umas fotos do Alckmin, pelado e com seu avantajado neoliberalismo, meu, foram guinchos atingindo uma oitava atrás da outra... AC/DC ou Vanessa da Mata não fariam melhor! Logo depois, a Luciana trouxe junto a Heloísa Helena para a bateria, aí ficou perfeito, porradaria pura com pitadas de lirismo.

Matheus – Pitadas de lirismo daria um bom nome para uma tequila, né?

Pasárgada – Mas foi um som tão intenso, de uma altura assim assombrosa?

Matheus – Veja, depende de um cálculo simples: pegue a altura da Ana Hickmann, divida por dois e some o que restou ao derrière da Juliana Paes. Dá mais ou menos a medida, a medida da loucura masculina.

Pasárgada – Bom, por falar em mulheres, não poderia faltar essa pergunta a uma banda. E o assédio, o sexo?

Matheus – Sexo, mas agora assim?

Pasárgada – Você é mesmo irreverente, será coisa da idade?

Matheus – Idade? Depende. Tenho o suficiente já pra reunir barriga, miopia, asma, tendinite, estresse, coprolalia que, segundo os doutos, é a famosa vontade de falar palavrão e bobagem, principalmente depois que se retira extrato no banco, depressão, sabe aquele banzo que dá em fim de mês, meteorismo, que é o nome clínico de quando a pança se enche de gases e TOC, que de dia quer dizer Transtorno Obsessivo-Compulsivo e de noite, Traz-Outra-Cachaça. Ah sim, tem também a antropofagia, que você sabe, é a vontade de comer...

Fontella (intervindo, sereno) - As gentes, comer as gentes, como diria Pero Vaz de Caminha.

Pasárgada – Voltemos à música. E o selo que vocês estão abrindo?

Matheus – Que história é essa?

Fontella – Encha meu copo, Matheus, e eu respondo essa. Toda grande banda teve seu selo, caso dos Beatles com o Apple e o Led Zeppelin com o Swan Song. O nosso selo, o Marmitex, tem esse nome, porque a idéia é garantir aos fãs da boa música novidades quentinhas, muito melhor que qualquer biscoito fino, fino, mas que não alimenta.

Matheus – Alimenta agora a alma dos arigó e dos mané e talvez, em 2080, os bolsos dos cabra aqui...

Pasárgada – E haverá o lançamento de outras bandas pelo selo?

Fontella – Sem dúvida. Já há planejamento do primeiro single da Tucanos Assassinos, com o funk ‘O Importante é Ser Fodão’, e do álbum da Radicalidade Mórbida, com os hits punks ‘Presidente Sátiro’ e Língua Presa, Rabo Grande’.

Pasárgada – E a primeira turnê, porque começa no dia 29, data do segundo turno das eleições, e se encerra em 31 de dezembro próximo, no Farofa Square Garden, em Quintão?

Fontella – Olha, vamos ter uma turnê extenuante...

Matheus (interrompe, visivelmente exaltado) – Vai até faltar desodorante Avanço...

Fontella – Abre mais outra ceva, brother. Como dizia, tocaremos em lugares apertados, com platéia fervorosa, caso da passarela da Estação Rodoviária em Porto Alegre, ou no estádio de Muçum, logo depois de jogo do clube de lá, o Fortes e Livres. Dá pra notar que será bem intenso e diria mais sinistro que filme pornô com a Gretchen ou a Rita Cadillac e de 2006!!

Matheus – Depois, a gente quer só curtir, quem sabe tirar um tempo e ir a pé até o Nordeste. O Fontella não quer revelar, mas temos um projeto de recuperar antigos clássicos da música nordestina, tipo Fagner (Cebola Cortada), Alceu Valença (Quiabo Sedutor) e Novos Baianos (É Ferro na Boneca). Pelos títulos, se vê o quanto se terá de sentimentalismo e apelo sexual... Que Tchan, que nada, embora não esteja descartado convidar a Carla Perez para nos ajudar em novas letras e, claro, por que não, Gretchen e Cadillac para o rebolado e backing. Será o punk-folk-remelexo!

Pasárgada – Falando nelas e fechando nossa entrevista: que tal o cenário cultural brasileiro hoje?

Matheus – Melhor mudar para a Bélgica. E a cerveja lá é boa também.

Fontella – Não, no verão daqui, melhor seria a Escócia... E no inverno no Brasil, ir para a Jamaica.... Já cantava o velho e bom John Lee: one Bourbon, one scotch, one beer...

Pasárgada – É sempre assim, tanto sarcasmo, tanta ironia?

Fontella – Querida, quando nasci, me puseram um funil na boca e desovaram por ali toda a Enciclopédia Britannica, além da Larousse e da Barsa mais os Cadernos de Música de Cambridge, o Livro da Ópera de Kobbé, a história da música ocidental escrita por Otto Maria Carpeaux e a História Social do Jazz, de Hobsbawn. Hoje, para eu manter e ampliar essa minha vasta erudição, imprimo 10 páginas do Google e da Wikipédia diariamente e engulo com vodka. Quanto à cultura no Brasil, veja a revista Veja e está lá: entre os livros mais vendidos, obras sobre essa nação extremamente civilizada que é o Afeganistão...

Matheus – E o pior é que lá, além do Talibã, mulher não sabe o que é biquíni e não tem a porra da cerveja! E Jaburu nem de burqa! Já chega as da nossa odiada/amada terra, a Jaburulândia e seus lindos campos de papoula...

Nota da Redação: neste instante, a entrevista acabou porque, após muita cerveja e convidada pelos dois jaburus, a entrevistadora, a Joaninha, topou um sanduíche...

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