sexta-feira, março 24, 2006

 

A MUSA

Nesta semana, a vida e a obra do pintor Emiliano Di Cavalcanti (1897 - 1976) voltaram à cena, em decorrência da morte, aos 58 anos, de sua musa mulata Marina Montini, sua modelo entre 1969 e 1976. Além do lamento, ao menos de um fato ruim - a morte de uma musa - recuperou-se para o imaginário coletivo brasileiro a genialidade de um cara que tanto quis - e conseguiu - retratar a beleza da mulher brasileira, notadamente a mulata, embora exista um quadro como Nu, com uma mulher branca, exibindo os seios, vestida apenas com uma pele, que é absurdamente lindo. Mais do que estética, Di Cavalcanti é um desses apaixonados pelo Brasil - ao lado de outros gênios como Djanira (Fla-Flu 1975) e Portinari (Retirantes) - que tanto e tão expressivamente desnudaram as alegrias e os dramas de ser brasileiro -, apaixonados esses que parecem faltar hoje não apenas em nossas artes plásticas, mas em tudo! Fechando tais lembranças, ficam a reprodução de Mulata com Pássaro e um poema meu, de 2005, em que comparo Di e Portinari:

DI CAVALCANTI / PORTINARI
(Brasil de Carne e Osso)

A mulata.
A retirante.
A opulência.
A fome.

O que consome.
O que não some.

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